domingo, 28 de setembro de 2008

Similia similibus curentur (II)

(cont.)
Pensemos a partir da Energia Vital e o exemplo do café. A excitação causada por esta substância é atribuída à cafeína, seu principal princípio ativo, pelo raciocínio bioquímico. Podemos atribuir o sintoma “excitação” à cafeína, mas fica a pergunta: e os outros sintomas? Responderia o cético displicente: cada qual reage a esta ação bioquímica de modo diferente! Responde o cético “strictu sensu”: de fato temos que achar uma resposta “neuro-bioquímica-hormonal-psíquica” para tal fenômeno, pois somente o efeito da cafeína será incapaz de produzir explicação para tais fenômenos, além dos conhecidos toxicologicamente! Responde o (ou este) homeopata: o café contém a cafeína e o conjunto de mais substâncias na sua inteireza que conferem uma identidade vegetal, com ciclo de vida, classificação, evolução, e tudo o que pode ser atribuído a um vegetal; o ser humano idem, pois têm de comum alguma coisa que os comunica, a Energia Vital de um e outro dando direção a um movimento criador das tais sensações incomuns. Difícil? Então tome um café para pensar e, em caso de “pregos enterrados na cabeça”, procure um homeopata...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Similia similibus curentur (I) ...

Preâmbulo:
Uma pessoa toma café em excesso e sente uma excitação mental, fala exageradamente, perde o apetite e o sono; uma segunda pessoa toma o mesmo café, quantidade excessivamente igual, sente igualmente uma excitação, anima-se uma pouco a conversar, e sente uma leve e passageira perda do apetite.
Aquela primeira pessoa após o café recebe uma boa notícia e sente-se mal,excessivamente excitada, surge uma enxaqueca cuja dor lhe causa uma sensação de “pregos enterrados na cabeça”; a outra, após algum tempo, sente um cheiro de café na urina e repara um pequeno aumento do desejo de urinar.
Que temos aqui? Uma mesma substância, o café, e sensibilidades diferentes. Parece óbvio, é óbvio, mas há fenômenos bem mais interessantes neste exemplo do que a simples “diferença de organismo”. A segunda pessoa experimentou efeitos comuns do café que muitos de nós sentimos igualmente e alguns nem isso, dado o hábito cultural que temos a esta bebida. Já a primeira pessoa foi além: experimentou sensações mais elaboradas do ponto de vista sensorial e psicológico.
Podemos dizer que houve um primeiro efeito do café mais comum e outros efeitos mais raros e peculiares, respectivamente para a segunda e primeira pessoas. E daí? Daí que este simples fenômeno vale para todas as substâncias, sejam tóxicas, medicamentosas, alimentares, de quaisquer origens, desde que consiga interagir conosco e outros seres vivos.
Ter-se-á, dependendo da susceptibilidade de cada um, efeito primário e secundário. No caso acima em relação ao café, teremos a “excitação”, por exemplo, como reação primária e típica desta substância. Já o mal estar “a partir de uma boa notícia” e enxaqueca “como se pregos estivessem enterrados na cabeça” acontecem a uma pessoa, mas não com freqüência e por causa de café. Trata-se de reações secundárias e estes efeitos são preciosos para a Homeopatia. É exatamente aí que se dá o fenômeno da semelhança ou similitude. Os sintomas raros e peculiares que definem a escolha do medicamento partem destes caminhos.
Continua no próximo post...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Princípios da Homeopatia...

Se procurarmos desde o mais simples, antigo e caseiro manual de Homeopatia ao mais completo “tratado”, encontraremos o seguinte: “Os pilares da Homeopatia são a Lei dos Semelhantes, a Experimentação no Homem São (saudável), as Doses Infinitesimais e o Medicamento Único”. Vistos assim tais pilares a muitos, principalmente aos críticos, parecem dogmas. Não são e é isto que tentarei aqui discutir em termos compreensíveis a todos.
Fico a pensar porque, num blog, enveredo-me por um caminho tão complicado. Não seria melhor colocar uns casos de curas clínicas e pronto, aí estaria uma bela divulgação desta ciência... Mas não é bem assim e durante esta semana vamos saber o porquê.

Comecemos, antes, pela questão mais polêmica para a maioria, a Energia Vital. Talvez muitos conheçam a definição, por exemplo, da Medicina Tradicional Chinesa, do “Chi” ou “Ki”, dependendo do texto, como a energia que circula e emana de todas as coisas vivas. Para os hindus é o Prana. Em todas as culturas tradicionais (nossos indígenas inclusive) deste planeta há uma consciência desta energia como a própria vida.
A exceção a esta regra é justamente a nossa cultura ocidental pós-iluminista. Temos um exemplo bem aqui, na modernidade da “grande rede”: http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_Vital , onde se diz:
“Energia vital, na homeopatia, é uma força interna do indivíduo, responsável pelo equilíbrio e manutenção da vida orgânica. Provém do ar, da água, dos alimentos e do sol, sendo que o estado de saúde depende desta energia”.
Aqui se coloca o ser vivo o vegetal e o animal (normalmente desacreditam o mineral como ser vivo) a depender da fonte de energia, feito maquinas que despendem combustível. É comum dizermos: “estou sem energia”, e realmente nos sentirmos assim. Questão simples de linguagem. Esta definição é incompleta e não representa o que pensa a maioria dos homeopatas. Dizer que o estado de saúde depende desta energia significa dizer que devemos procurá-la, encontrar e dominar suas fontes. Agindo assim ficaremos como cães a correr atrás do próprio rabo.
Ficaria melhor dizer que a Energia Vital é a substância da qual se origina tudo que é vivo e tangível, que permeia todas as formas, movimentos e acontecimentos da Vida. Não se perde nem se ganha energia, se troca e se transforma. Antoine Lavoisier (1743-1794) dizia que “na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Isto vale para a química e para a vida.
Com este olhar sobre a Energia Vital nos será mais fácil para, num ritmo “blogueiro” entender o próximo post, a Similitude, a famosa Lei de Semelhança, Similia similibus curentur, a ver...

domingo, 21 de setembro de 2008

O Medicamento Homeopático...

Os fármacos homeopáticos originam-se dos três grandes reinos da Natureza, Mineral. Vegetal e Animal. Em nada diferente da origem de todos os medicamentos tentados por todas as práticas médicas em todos os tempos, em todas as culturas. A questão é a forma como se utiliza a substância que se transformará num medicamento.
Em Homeopatia as substâncias são diluídas, ultra-diluídas na verdade, e dinamizadas nos intervalos entre as diluições, dependendo da escala (CH, FC, LM, etc.) utilizada (dosagem, no sentido comum). A dinamização corresponde a uma quantidade determinada de “chacoalhadas” a que a solução diluída é submetida, ajustando-se assim a potência do medicamento.
Não quero, neste blog, abusar de informação didática, mas devido à complexidade do assunto e à utilização sistemática, para a crítica maliciosa e sem fundamentos, da falta de informação que a chamada “mídia” faz da Homeopatia, não perdendo uma oportunidade sequer de, vez em quando, tentar desclassificá-la enquanto matéria científica, ofereço aqui neste espaço estes esclarecimentos iniciais.
O site neste link http://www.homeopatiaveterinaria.com.br/medicamento.htm pertence a uma brilhante colega minha, veterinária e Doutora com “D” na academia oficial. Ali todos poderão entender um pouco mais sobre o medicamento homeopático e ver que não é nada misterioso.
A seguir os princípios da Homeopatia ...

sábado, 20 de setembro de 2008

Para começar...

Os médicos homeopatas tratam do paciente e não da doença. Todos ouvem falar disto, mas o que isto significa? Não é tão fácil quanto parece compreender tal diferença, pois nossa cultura é estabelecida nas bases do “combate à doença”, como se nossos sintomas fossem uma praga a nos desequilibrar, um castigo ou um ataque externo à nossa bem nascida saúde. Nada mais falso pensar que nascemos completamente saudáveis e que o mundo cruel está pronto a nos fazer doentes, sem mais nem menos. Está aí a genética para provar que isto não existe. Mas além desta ciência, que é parte importante no processo, o nosso equilíbrio obedece a princípios naturais que sempre individualizarão cada um de nós. Se encontrarmos dez pessoas com diagnóstico de úlcera estomacal vamos ouvir dez queixas diferentes, ainda que o lugar de referência seja a região da “boca do estômago”. Por quê? Porque cada um sente o sintoma a seu modo, segundo suas referências de sensibilidade, somadas às idiossincrasias que o meio cultural, ambiental e social-econômico lhes suscita. Se tão somente a lesão estomacal é atenuada paliativamente com os medicamentos disponíveis na alopatia (e são muitos) não há cura, mas sim um adiamento deste mesmo processo para daqui a outra situação. A tendência é a cronificação do processo e um tormento que se acumula.
A medicina homeopática para cuidar das dez pessoas citadas no exemplo acima, irá buscar os sintomas raros e peculiares de cada um, e aí sim, a partir deste conjunto individualizado, propor o medicamento.
O “Sintoma Raro” volta a qualquer momento. Enquanto isso, aos comentários...

Informações importantes...

Por conta do início destas postagens, farei alguns esclarecimentos sobre a Homeopatia. É comum, e os “iniciados” que me perdoem, confundir-se medicamentos homeopáticos com outras práticas terapêuticas não convencionais, como a Fitoterapia (chás, extratos secos e tinturas, exclusivamente do Reino Vegetal), os Florais de Bach, a Medicina Antroposófica.
A Fitoterapia normalmente é aplicada para tratar sintomas específicos e, apesar da origem empírica de suas pesquisas, através da Medicina Popular (erveiros e outros), quando utilizada na forma de extrato seco em cápsulas ou tinturas, seus medicamentos podem causar inúmeros efeitos colaterais, desde imperceptíveis até graves, e o pior, não reconhecidos, porque imagina-se que sendo os fitoterápicos medicamentos “naturais”não podem fazer mal.
A Medicina Antroposófica usa medicamentos ultradiluídos, baseados na farmacotécnica homeopática, mas tem seu sistema clínico e terapêutico completamente diverso da Homeopatia, sendo também praticada por médicos formados e de grande valia no conjunto dos sistemas médicos contra- hegemônicos, fora da “mainstream” alopática, para usar um termo em moda.
Os Florais de Bach são medicamentos também inspirados no modelo homeopático de ultradiluições, pesquisados pelo microbiologista e homeopata Edward Bach, após ter-se refugiado no País de Gales no início do Séc.XX para curar-se de um grave problema de saúde. Após sua recuperação amealhou um grupo de seguidores, médicos e leigos, que difundiram suas práticas até os nossos dias. No Brasil é proibido ao médico receitar estes medicamentos. Em minha opinião trata-se de uma grande perda, pois estes medicamentos tem efeitos reais mas pouca pesquisa clínica, o que faz com que mais uma alternativa terapêutica se perca de vista...
No próximo post, alguma coisa sobre os medicamentos...